O relato histórico dominante é a versão de quem? Esta questão
suscita um despertar e duas obras que serão lançadas na região
esta semana tratam de aprofundar e resgatar relatos que nos dão um
olhar aprofundado sobre a história do Brasil e da imigração
italiana, em uma abordagem conectada a realidade dos trabalhadores
e das lutas sociais. Relatos singulares de memórias e trajetórias
singulares.
“Codinome Gurjão – Só morrem as causas pelas quais ninguém luta” é
o livro de memórias do Professor Agenor Castoldi. Mestre em
desenvolvimento pela Universidade Federal Rural do RJ. Castoldi
desenvolveu atividades acadêmicas por 40 anos na Unijui. Militante
do PCdoB nos anos de chumbo, foi preso e torturado pela ditadura.
Atuou como sindicalista, tendo sido presidente e fundador do
SINPRO Noroeste e da Intersindical de Ijuí.
Suas memórias são uma emocionante aventura, recheada por uma
extensa e aprofundada pesquisa de suas raízes, com início no
relato da vinda de seu bisavô, Paolo Antônio Castoldi, ao Brasil,
imigrando de Brugherio na Itália para Nova Milano, na Serra
Gaúcha. Deste ponto de partida, perpassamos a história de quatro
gerações da família Castoldi. Chama atenção as muitas abordagens
da vida do imigrante e de seus costumes, além da contextualização
de suas memórias com acontecimentos históricos e políticos.
Militante das causas sociais e da democracia, as memórias de
Agenor Castoldi nos situam em um universo pouco explorado, ou
vagamente conhecido, da vida e do cotidiano de um militante de
esquerda em nossa região, o noroeste do estado. Aqui seu relato
ganha muita singularidade, por resgatar personagens e fatos
regionais relativos a sua militância e a política daquele período.
Já outro lançamento, “A luta vale a pena”, reúne o relato da
trajetória de 50 anos de militância no PCdoB e de 6 anos na Ação
Popular de Raul Carrion, historiador, militante, por três
legislaturas vereador de Porto Alegre e por duas legislaturas,
deputado estadual do RS. O livro traz ainda uma coletânea de
textos teóricos, abordando questões do socialismo e da história do
Rio Grande do Sul.
Em comum entre as duas obras, os relatos de
vidas que optaram por lutar, pois como define o próprio Carrion
“por mais sacrifícios e esforços que nos custe abrir caminho para
o ‘NOVO’, ele é inelutável, não por conta de qualquer fatalismo –
nada acontece na história sem a participação ativa e consciente de
homens e mulheres –, mas porque surgirão inevitavelmente homens e
mulheres, precursores dos novos tempos, determinados em fazer a
‘roda da história’ avançar, sem medir sacrifícios ou
consequências”. Agenor Castoldi e Raul Carrion são dois destes
determinados precursores destes novos tempos. Como conclama o
próprio Carrion, “sejamos dignos desses homens e mulheres de
vanguarda que, ao longo da história humana – contraditória, de
avanços e retrocessos –, souberam desbravar novas sendas para a
humanidade. E esforcemo-nos por fazer a nossa parte!”
Há, no entanto, muito mais. Se considerarmos que a verdade
histórica se constrói na análise profunda da complexidade e
multiplicidade dos fatos, estas duas obras nos permitem refletir
sobre o viés em que cada ator social constrói sua própria
história. Interpretação que o Professor Dinarte Belato aprofunda
com uma reflexão, na apresentação que fez de Codinome Gurjão.
“Espero, e certamente Agenor também, que estas memórias, em
permanente ligação com a realidade e marcada pelo esforço de sua
interpretação e entendimento, estimule os leitores, os
companheiros e os militantes sociais a também guardarem suas
memórias e, no momento oportuno, escrevê-las e partilhá-las. Se
nós, trabalhadores, não nos dermos o trabalho de escrever nossas
histórias, de nossos movimentos sociais e políticos, de nossas
militâncias e pesquisas, deixaremos o campo aberto para que a
classe dominante continue ocupando com exclusividade o sentido e a
interpretação da nossa sociedade. A História do Brasil não pode
continuar sendo majoritariamente a de uma classe dominante, de uma
fração singular da sociedade, mas de todos os sujeitos sociais,
com seus respectivos tempos históricos.”
As obras terão lançamento conjunto, com a presença dos autores.
Nesta sexta-feira (08) em Cruz Alta (17:30 horas, na 23ª Feira do
Livro) e no sábado (09) em Ijuí, no plenário da Câmara de
Vereadores, a partir das 16:30 horas. “Codinome Gurjão” será
lançada ainda na feira do livro em Ijuí, no stand dos escritores.
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
terça-feira, 5 de novembro de 2019
Com foco na prevenção de conflitos, da violência e na promoção de uma cultura de paz, Justiça Restaurativa será debatida em audiência pública nesta quinta-feira
Uma audiência pública marcada para esta quinta-feira (07), no plenário da Câmara de Vereadores (9 horas), debaterá o projeto de lei que institui a política pública de Justiça Restaurativa no município de Ijuí. “É uma nova forma de se fazer justiça diante do momento em que vivemos, no qual é possível constatar um certo crescimento nos índices de violência no âmbito familiar, escolar e social. Esta violência muitas vezes desemboca em atitudes, por parte dos agressores, que colocam em risco a vida humana”, explica o proponente do projeto, vereador Junior Carlos Piaia.
A justiça restaurativa tem seu histórico inicial ainda nos anos 1970, quando implementaram-se programas e práticas restaurativas em diversos países. A proposta surge como uma alternativa para a prevenção e a solução de conflitos e violência. Chega ao Brasil nos anos 2000 e em 2005 chega ao nosso estado através da AJURIS (Associação dos Juízes do Estado do RS), com o projeto “Justiça para o Século 21”. Em Ijuí, desde 2016, o tema Justiça Restaurativa é debatido pela Unijui e pelo Ministério Público através do CJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania).
Apesar de ter origem no campo jurídico, as práticas da Justiça Restaurativa ultrapassam esta fronteira e alcançam a escola, ambientes de trabalho, as universidades e outros locais de convivência social onde criam-se espaços seguros para o diálogo entre sujeitos que estão em situação de conflito entre si.
No município, desde 2018, acontecem ações para implementar a proposta na Comarca de Ijuí. A primeira ação foi a capacitação de um grupo de pessoas pelo Ministério Público através de formação em Círculos de Construção de Paz. No mesmo ano realizou-se também o 1º Seminário de Justiça Restaurativa, promovido pelo MP, Unijui, facilitadores e apoiadores da comunidade. Desde lá, muitas ações ocorreram em diferentes áreas, com o Grupo de Facilitadores atuando em escolas da rede municipal, estadual e particular, no sistema penitenciário, na rede de proteção, na Coordenadoria da Mulher e no CJUSC, em processos judiciais.
O foco principal na Justiça Restaurativa é promover uma cultura de paz e neste sentido, a abordagem das situações conflitivas se dá mediante a utilização de enfoques diferenciados, que envolvem a participação dos envolvidos, das famílias, e das comunidades; atenção às necessidades legítimas das vítimas e dos ofensores; reparação dos danos sofridos e compartilhamento das responsabilidades e obrigações visando a superação das causas e consequências dos conflitos.
“Através da Justiça Restaurativa, queremos promover implementação de práticas que reparam danos causados por diferentes formas de violência, gerenciando estas situações com a prevenção e o entendimento entre as partes envolvidas em situações de conflito. Os resultados alcançados são positivos nas ações realizadas. É um projeto com enorme alcance social e diante do amadurecimento desta experiência, já estabelecida na comunidade ijuiense, propomos a sua implementação também como política pública. É um caminho positivo, constitutivo de cidadania, solidariedade, justiça plena e principalmente, promotor da paz”, afirma Junior Piaia.
Ester Eliana Hauser, Mestre em Direito Público pela UFSC e professora de Direito Penal, Politica Criminal e Justiça Restaurativa da Unijui argumenta que o município de Ijuí não pode ficar de fora do processo de consolidação da Justiça Restaurativa como política pública. “É um movimento que se fortalece significativamente no país e no estado, com diversos municípios aprovando legislação que instituem o projeto. A instituição da Justiça Restaurativa como política pública será muito importante porque nos permitirá consolidar e aprimorar um conjunto de ações que já estão em prática e também projetará a implementação de diferentes ações a partir da execução de políticas públicas, facilitando o processo de planejamento e avaliação das atividades e disseminando as práticas desenvolvidas no projeto”.
A justiça restaurativa tem seu histórico inicial ainda nos anos 1970, quando implementaram-se programas e práticas restaurativas em diversos países. A proposta surge como uma alternativa para a prevenção e a solução de conflitos e violência. Chega ao Brasil nos anos 2000 e em 2005 chega ao nosso estado através da AJURIS (Associação dos Juízes do Estado do RS), com o projeto “Justiça para o Século 21”. Em Ijuí, desde 2016, o tema Justiça Restaurativa é debatido pela Unijui e pelo Ministério Público através do CJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania).
Apesar de ter origem no campo jurídico, as práticas da Justiça Restaurativa ultrapassam esta fronteira e alcançam a escola, ambientes de trabalho, as universidades e outros locais de convivência social onde criam-se espaços seguros para o diálogo entre sujeitos que estão em situação de conflito entre si.
No município, desde 2018, acontecem ações para implementar a proposta na Comarca de Ijuí. A primeira ação foi a capacitação de um grupo de pessoas pelo Ministério Público através de formação em Círculos de Construção de Paz. No mesmo ano realizou-se também o 1º Seminário de Justiça Restaurativa, promovido pelo MP, Unijui, facilitadores e apoiadores da comunidade. Desde lá, muitas ações ocorreram em diferentes áreas, com o Grupo de Facilitadores atuando em escolas da rede municipal, estadual e particular, no sistema penitenciário, na rede de proteção, na Coordenadoria da Mulher e no CJUSC, em processos judiciais.
O foco principal na Justiça Restaurativa é promover uma cultura de paz e neste sentido, a abordagem das situações conflitivas se dá mediante a utilização de enfoques diferenciados, que envolvem a participação dos envolvidos, das famílias, e das comunidades; atenção às necessidades legítimas das vítimas e dos ofensores; reparação dos danos sofridos e compartilhamento das responsabilidades e obrigações visando a superação das causas e consequências dos conflitos.
“Através da Justiça Restaurativa, queremos promover implementação de práticas que reparam danos causados por diferentes formas de violência, gerenciando estas situações com a prevenção e o entendimento entre as partes envolvidas em situações de conflito. Os resultados alcançados são positivos nas ações realizadas. É um projeto com enorme alcance social e diante do amadurecimento desta experiência, já estabelecida na comunidade ijuiense, propomos a sua implementação também como política pública. É um caminho positivo, constitutivo de cidadania, solidariedade, justiça plena e principalmente, promotor da paz”, afirma Junior Piaia.
Ester Eliana Hauser, Mestre em Direito Público pela UFSC e professora de Direito Penal, Politica Criminal e Justiça Restaurativa da Unijui argumenta que o município de Ijuí não pode ficar de fora do processo de consolidação da Justiça Restaurativa como política pública. “É um movimento que se fortalece significativamente no país e no estado, com diversos municípios aprovando legislação que instituem o projeto. A instituição da Justiça Restaurativa como política pública será muito importante porque nos permitirá consolidar e aprimorar um conjunto de ações que já estão em prática e também projetará a implementação de diferentes ações a partir da execução de políticas públicas, facilitando o processo de planejamento e avaliação das atividades e disseminando as práticas desenvolvidas no projeto”.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Trabalhar por uma frente ampla nas eleições municipais em 2020
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| No Maranhão, o governador Flávio Dino lidera no estado uma ampla coligação de forças políticas |
A tarefa difícil é transplantar este cenário de união de forças para o município, já que as características de posicionamento das direções locais muitas vezes são diferentes em relação as direções nacionais. Para PCdoB, é preciso superar os rótulos de direita e esquerda deixando de olhar somente para as conquistas do passado, ainda que deva-se preservar todo o legado conquistado. O parâmetro que o PCdoB definiu para coligações no município sugere um leque de forças alinhadas a defesa da democracia, da constituição e que se posicione contra a retirada de direitos do povo, mas que fundamentalmente apresente uma alternativa ao atual modelo de governo, que não tem mais nada para apresentar ao município.
Junior Piaia, pré-candidato do Partido a prefeito, explica que em Ijuí o projeto reafirma o posicionamento do Partido no país, mas considerando as características locais das forças políticas. “Queremos reconquistar o direito democrático de fazer política e exercer cidadania e o caminho para isso é a união das forças democráticas, também aqui em Ijuí. Nosso município caminha para uma crise fiscal e financeira sem precedentes. É preciso e necessário um novo projeto e acreditamos que esta compreensão existe inclusive dentro dos partidos que hoje estão governo. Nosso papel, definido pela direção, será o de trabalharmos por uma frente ampla com partidos que tenham a defesa da democracia como bandeira principal e que se unam em busca de retomarmos os espaços políticos, trabalhando para recuperar nossas finanças, retomar a capacidade de investimentos e apresentando para Ijuí um planejamento baseado em gestão e eficiência administrativa”.
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Avança entendimento com PSB para as eleições municipais
Integrantes do diretório do PSB e do nosso comitê do PCdoB reuniram-se nesta sexta (30), buscando alinhar pontos de comprometimento entre as duas siglas visando um projeto conjunto para as eleições municipais em 2020. Os vereadores Junior Piaia, pelo PCdoB, e César Busnello pelo PSB, são citados para concorrer a uma vaga ao executivo. O PCdoB inclusive, já indica a pré-candidatura de Piaia.
Sobre o conteúdo da conversa, o presidente do PCdoB Angelo Schiavo afirmou que mesmo com uma pré-candidatura colocada, não tratou-se de nomes e candidaturas nesta conversa. "Buscamos entendimento em torno de um projeto conjunto. Este projeto deve demonstrar um posicionamento político claro diante do cenário que se apresenta para a disputa a prefeito. PCdoB e PSB são os únicos partidos no município que se mantém em oposição ao PDT ao longo dos últimos mandatos. Buscamos estreitar nossos laços e nosso entendimento para construirmos um projeto de oposição. Não é um projeto contra o PDT, mas um projeto contra um modelo desgastado e ultrapassado de governo".
"O modelo de gestão posto em prática pelo atual governo esgotou-se e colocou a cidade no limite da viabilidade financeira, inclusive em relação a responsabilidade fiscal. Precisamos atentar para isso. É preciso mais. PCdoB e PSB estiveram juntos nas últimas três eleições e queremos novamente caminhar juntos no sentido de alcançar em 2020 aquilo que ainda não tivemos o êxito de alcançar em outros momentos. Um bloco forte de oposição, composto por vários partidos e com um projeto concreto de mudança como alternativa ao atual modelo de governo", afirmou Piaia. As duas siglas passam a atuar em conjunto a partir deste momento e buscarão conversas com outros partidos.
Sobre o conteúdo da conversa, o presidente do PCdoB Angelo Schiavo afirmou que mesmo com uma pré-candidatura colocada, não tratou-se de nomes e candidaturas nesta conversa. "Buscamos entendimento em torno de um projeto conjunto. Este projeto deve demonstrar um posicionamento político claro diante do cenário que se apresenta para a disputa a prefeito. PCdoB e PSB são os únicos partidos no município que se mantém em oposição ao PDT ao longo dos últimos mandatos. Buscamos estreitar nossos laços e nosso entendimento para construirmos um projeto de oposição. Não é um projeto contra o PDT, mas um projeto contra um modelo desgastado e ultrapassado de governo".
"O modelo de gestão posto em prática pelo atual governo esgotou-se e colocou a cidade no limite da viabilidade financeira, inclusive em relação a responsabilidade fiscal. Precisamos atentar para isso. É preciso mais. PCdoB e PSB estiveram juntos nas últimas três eleições e queremos novamente caminhar juntos no sentido de alcançar em 2020 aquilo que ainda não tivemos o êxito de alcançar em outros momentos. Um bloco forte de oposição, composto por vários partidos e com um projeto concreto de mudança como alternativa ao atual modelo de governo", afirmou Piaia. As duas siglas passam a atuar em conjunto a partir deste momento e buscarão conversas com outros partidos.
sábado, 1 de junho de 2019
Faltou habilidade e sensibilidade em relação aos desabrigados no Bairro Getúlio Vargas
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| Ocupação Maria Bonita sofre ação de reintegração de posse na sexta-feira, 31 de maio |
A ação de
reintegração de posse em terreno da prefeitura no Bairro Getúlio
Vargas, cumprida por decisão judicial na manhã da sexta-feira (31),
é retrato condenável de uma política que despreza o ser humano,
com demonstrações de arrogância e insensatez por parte dos
responsáveis políticos pela ação, ou seja, o senhor prefeito
Valdir Heck e o secretário de habitação, Ramsés Lemos. Esta é a
opinião da executiva do PCdoB de Ijuí diante da ação de
reintegração de posse movida pela Prefeitura contra as famílias
que, na luta digna por moradia, ocupavam terreno público no Bairro
Getúlio Vargas e aguardavam, desde 2016, que a secretaria de
habitação do município concluísse processo de cadastramento e
doação de terrenos.
Na terça-feira,
Piaia e outros vereadores reuniram-se com o prefeito Vardir Heck e
com o secretário de habitação Ramsés Lemos e entregaram o
documento aprovado na sessão legislativa. Nesta mesma ocasião, o
secretário de habitação já demonstrou contrariedade ao adiamento
e numa atitude arrogante justificou que este atraso seria um
“incentivo a novas invasões”. Muito sensato naquele momento, o
prefeito Valdir Heck aceitou adiar a ação, mas infelizmente, após
consulta a assessoria jurídica do município, voltou atrás.
No mesmo dia, Piaia
e outros vereadores, articulam então para que a Câmara de
Vereadores formalizasse um pedido de adiamento ao judiciário. A
proposta foi protocolada na justiça na quarta-feira (29). Ainda na
quarta, Piaia e demais vereadores se reúnem com o defensor público,
representante dos moradores, para que este também entrasse com
pedido para o adiamento da ação. Além disso, a Comissão de
Direitos Humanos da OAB/Ijuí realizou um pedido no mesmo sentido. A
ampla mobilização não surtiu efeito, pois o pedido foi julgado
improcedente pela juíza, Drª. Simone Brum Pias, por não ser
realizado pelo autor da ação de reintegração e principal parte na
ação, ou seja, o Município.
A reintegração de
posse acabou não acontecendo na data marcada, quinta-feira (30), em
virtude do mau tempo e da chuva. Ainda na quinta pela manhã, Junior
Piaia ligou para o prefeito Valdir Heck, novamente argumentando para
que o prefeito repensasse e adiasse a reintegração até que a lista
das novas famílias contempladas fosse anunciada. Recebeu do prefeito
a afirmação de que a ação não ocorreria até o final de semana.
Na sexta-feira,
surpreendentemente, a Brigada Militar e oficiais de justiça estavam
no local para cumprir a ordem de reintegração. Dignos de elogios,
as autoridades policias, jurídicas e moradores, cumpriram a
determinação de forma ordenada e pacífica. Infelizmente, numa nova
demonstração de arrogância, insensibilidade e falta de habilidade,
o secretário Ramsés Lemos, quando questionado pelo vereador Junior
Piaia sobre a presença da secretaria de assistência social para
auxiliar uma família que não tinha para onde ir, limitou-se a dizer
que estavam avisados e que deveriam sair.
É preciso refletir
e agir sobre esta ação ocorrida hoje. Sobre erros administrativos e
sobre que rumos devemos tomar. Foi o pensador camaronês Achille
Mbembe que criou o conceito de Necropolítica. Se resume na maneira
em como a gestão de territórios produz degradação, desintegração
social e morte. Estes processos ocorrem principalmente nas periferias
e se resumem por degradação e desintegração social que tornam a
morte uma situação naturalizada, como produto da própria
degradação social expressa pela ausência de condições mínimas
de sobrevivência, como falta de saneamento básico, saúde,
alimentação e habitação, entre outras necessidades do ser humano.
O que levou estas
famílias a ocupação para pressionar o poder público a uma solução
foi a contínua e histórica ausência de uma política de habitação
clara e transparente no município de Ijuí. O terreno em questão,
adquirido pela prefeitura de Ijuí no ano de 2000, foi negligenciado
para fins de política habitacional por sucessivas administrações.
São 19 anos. Além disso, é absolutamente condenável que a ação
de reintegração, que desabrigou seres humanos em estado de carência
social, tenha ocorrido com descaso do governo municipal pelo diálogo
com o legislativo, com as famílias e também com a ausência da
secretaria de assistência social.
Para algumas destas
famílias restou o desalento. A luta segue. O PCdoB e o mandato do
Partido, representado pelo vereador Junior Piaia, seguirão nesta
luta, em busca de uma solução que contemple não só ações
paliativas e circunstanciais, mas ações que estabeleçam o amplo
diálogo em busca de uma política habitacional séria e
transparente, único caminho para evitar conflitos. O problema
habitacional em Ijuí, ainda que consideremos os avanços recentes, é
sério e merece mais atenção como política humana, habitação
como direito humano, como política para a vida e o bem estar.
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Comitê debate pré-candidatura de Junior Piaia a prefeito em 2020
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| Indicativo do Comitê é pela pré-candidatura de Junior Piaia a prefeito em 2020 |
“Ainda é muito cedo para qualquer definição até porque precisamos olhar para o cenário nacional a fim de analisar a conjuntura política local na perspectiva das eleições em 2020. Neste momento não é possível prever como os desdobramentos da crise política no governo Bolsonaro interferirão na organização das forças políticas locais. A clara tendência é de que a crise econômica, política e social tenda a se agravar e é bem possível que em meio a esta conjuntura ocorrerão as eleições municipais”, analisa Ângelo Schiavo, presidente do Partido.
O Vereador Junior Piaia fez uma avaliação aprofundada da conjuntura nacional. Para o PCdoB, o resultado das eleições presidenciais em 2018 foi a chegada ao poder de forças raivosas, sem um projeto claro para o país e com uma proposta econômica ultraneoliberal que tem por objetivo acabar com todas as conquistas sociais alcançadas após o período de redemocratização, especialmente com a Constituição Cidadã de 1988. A chegada destas forças ao poder ocorre com o apoio da mídia e de setores do judiciário (especialmente através da Lava Jato) num contexto de condenar a política. Em poucos meses de governo, com a evidente ausência de articulação do presidente fascista Jair Bolsonaro, desprovido inclusive de capacidade intelectual para o cargo, o governo já dá sinais que acabou. Trouxe caos para economia e está dividido entre o projeto de vender o país do Ministro Paulo Guedes, um núcleo ideológico representado pelos filhos do presidente e pelo guru astrólogo Olavo de Carvalho e os militares. Estes núcleos estão em processo de disputa e o resultado desta disputa é desastrosa para o país, além de ser desrespeitosa e autodestrutiva quando em poucos meses, desmonta anos de esforços econômicos e diplomáticos realizados por governos anteriores que haviam inserido o Brasil no jogo geopolítico e econômico mundial. O PCdoB avalia que este processo autodestrutivo retira qualquer perspectiva de evolução do Brasil como nação soberana.
“A linha econômica adotada pelo governo, baseada unicamente em cortes sem nenhum critério, paralisou a economia e trouxe de volta a fome e o desemprego. Isto reacendeu as mobilizações de amplas camadas sociais para além das esquerdas, especialmente a proposta de cortes dos investimentos em educação. A volta das mobilizações traz algum ânimo no sentido de reverter o cenário, mas não podemos ser ingênuos. O processo é controverso porque a elite financeira ainda luta por um governo que possa entregar ao mercado a reforma da previdência”, analisa Piaia. O PCdoB, em contrapartida, defende um projeto de nação muito diferente, claramente determinado pela defesa dos direitos sociais, do trabalho e do emprego, calcado na soberania e no fortalecimento da nação e da sociedade brasileira.
Em relação a sua pré-candidatura a prefeito em 2020, Piaia afirma que as próximas eleições municipais definirão um ponto sem retorno para o município. O cenário de crise e de enormes dificuldades financeiras será de desafios gigantescos. A folha de pagamentos consome 63% do total arrecadado. O município de Ijuí estourou a barreira da responsabilidade fiscal e só não é penalizado porque uma manobra fiscal acrescenta o orçamento do DEMEI ao orçamento do município. O resultado é que no exercício de 2018, apenas 3% do orçamento foi para investimentos, pouco mais de R$ 8 milhões. Com isso, o PCdoB avalia que as eleições de 2020 não darão margem para aventuras. Exigirão muita experiência e capacidade de gestão para enfrentar os desafios impostos pela falta de recursos e por um orçamento cada vez mais apertado, que beira a insustentabilidade.
“Fico feliz com este indicativo do meu Partido pela minha pré candidatura. Neste mandato de vereador tenho estudado muito a situação econômica me sentindo capacitado para o desafio de governar a cidade. Mas acreditamos que é preciso avançar, especialmente para construir uma composição com outras lideranças, respeitando as diferentes forças políticas de Ijuí e que tenha sobretudo, o objetivo de apresentar ao eleitor um projeto consequente e responsável, a altura dos desafios”, expressou Piaia.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
Conferência Municipal aprova incorporação do Partido Pátria Livre
Em conferência realizada na última sexta-feira (15), em sua sede, o PCdoB aprovou a incorporação do Partido Pátria Livre (PPL). Também foram eleitos os delegados que irão representar o Partido de Ijuí na etapa estadual de conferências extraordinárias, que além de tratarem da incorporação, também estão realizando o debate sobre a atuação do PCdoB em oposição aos governos estadual e federal.
Ficou a cargo de Juliano Roso, representando o Comitê Estadual do PCdoB, a avaliação da conjuntura política. O PCdoB entende que o governo fascista e de extrema direita de Bolsonaro já demonstra ter enormes dificuldades políticas e administrativas, apresentando um grande número de contradições, até pela falta de um projeto ou plano de governo. "É um governo que produz notícias negativas diariamente e que em breve devem se tornar denúncias muito graves".
Juliano afirmou que para o campo progressista, a reforma da previdência é a batalha central no campo político e será a batalha política central para o PCdoB. Em relação ao governo do estado, a avaliação é de que o governo eleito seguirá tentando impor a agenda neoliberal de privatizações e arrocho sobre os serviços e servidores públicos estaduais proposta por Sartori, mas que no campo democrático, se apresenta como um governo de maior diálogo, o que poderá ser importante no combate ao autoritarismo. "Se avizinha um cenário de muita luta política e o PCdoB deve estar preparado para enfrentar cada uma destas batalhas. Por isso a notícia da incorporação do PPL é uma notícia muito positiva. Os dois Partidos tem grande afinidade programática e ideológica e juntos, superando as cláusulas antidemocrática de barreira à atuação dos partidos, poderão influir decisivamente em favor do povo e da nação, contra a retirada de direitos que estão na agenda dos governos eleitos no último ano", concluiu.
A etapa estadual da conferência acontece neste sábado, 23 de fevereiro, em Porto Alegre. O processo culmina com o 2º Congresso Nacional extraordinário que se realizará em São Paulo, no dia 17 de março.
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